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Mongólia

A página web de Igor Lugris

 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Variados

1. Umha proposta poética

2.- O latim em pó produzido na Galiza

3.- Mongólia nom poderia ter outro nome

4.- Igor Lugrís evoca no seu novo poemario unha 'Mongólia' literaria e eufónica

5.- Literatura mongol

 

umha proposta poética
(intervençom na mesa redonda "Poeticas a começos do século XXI"
dentro do Alcuentru Gallego-Asturianu de Poesía)

Cumpre aclarar várias cousas antes de começar coa minha intervençom nesta mesa redonda.
· A primeira, vai se fazer óbvia a medida que me escuitedes, é que nom som nem muito menos um especialista em estes temas. O meu conhecemento da literatura é cativo. (Conhecimento cativo pesie a ser licenciado, e por tanto ter estudado, a carreira de Filologia Hispánica, ou quizais precissamente por esse motivo). Por tanto, que ninguem aguarde encontrar nas minhas palavaras umha trabalhada, científica e académica intervençom sobre o tema que nos ocupa.
· A segunda é que eu gosto da literatura, da poesia, de escrevé-la e de lé-la, mas nom gosto muito da teoria literária, e também nom gosto da critica literária, ou quando menos da crítica literária ao uso, a mais habitual, que baixo umha suposta capa de ciência nom agocha mais que as arbitrárias, discutíveis e nom sempre honradas opinións de umhas pessoas às que nom lhe reconheço mais valor que o que cada pessoa quera dar-lhe.
· E terceira: acorde com os dous pontos anteriores, as minhas opinións som nada mais e nada menos que as minhas opinións. Nom representam mais que as minhas ideias, e nom pretendo que ninguem esté dacordo com elas. Nom me preocupa muito que sejam ou nom coincidentes com outras, nem me quita o sono pensar se há quem concorda comigo ou nom. Escrevo poesia, sobre todo, para mim e as pessoas que me interessam, e tenho umhas ideias sobre a poesia, e todo o que a rodea, que pretendo me sejam úteis a mim. Procuro ser honrado, honesto e conseqüente. O que eu diga nom pretendo que seja umha verdade universal: pretendo só que me ajude a seguir adiante.

Permitiredes-me, para entrar já em matéria, umha pequena nota biográfica. Escrevo desde que tinha, mais ou menos, 17 anos. No liceu onde estudava organizarom naquel ano várias actividades extra-escolares (na altura começava a estar de moda chamar-lhe "talheres"): fotografia, ecologia, cinema, literatura,... Uns colegas e mais eu apontamo-nos ao "talher"/obradoiro de literatura. Desde entom, escrevo, e foi grácias à pessoa que coordenava aquel obradoiro, o poeta Paco Souto, co que depois coincidiria em outras actividades -nem todas literárias, e nem todas universitárias- na minha época de estudante universitário, e actualmente em Letras de Cal (umha cooperativa editorial nascida para editar poesia galega de autores novos, e que já vai polo seu duodécimo volume).
Desde entom escrevo, e desde entom sigo sem saber porque. Nos primeiros anos pensava muito sobre esse tema, e quando alguêm me fazia essa pregunta -porque escreves?-, nunca sabia que respostar. Co paso do tempo, atopei a soluçom: deixou de interesar-me essa pergunta e a sua possível, ou possíveis, respostas. Actualmente para mim nom tem o mais mínimo interese saber porque escrevo: nom tenho resposta para a pergunta, mas considero que nom é necessária nem importante, muito menos prioritária.
Parecia-me importante esta breve introduçom biográfica para abordar o tema das poéticas a começo do século XXI, porque penso que as poéticas, as colectivas e as individuais, devem respostar a umha série de interrogantes, entre os quais muitas vezes, erroneamente, introduze-se este do porque. E com isto nom quero dizer que as poéticas devam atender exclussivamente a estas questóns, mas si que quando menos devem atendé-las. Si na proposta poética que eu persigo.
Creio que umha poética deve prestar atençom a outros interrogantes, e nom ao porque: deve falar do para que, do para quem, do onde, como, que, quem...
Para que escrever?, para quem escrever?, onde escrever?, como escrever?, que escrever?, quem escreve?... Sobre essas questóns centrarei a minha intervençom para intentar expór a minha proposta.

Para que escrever?
Há uns meses, num encontro de culturas lusófonas, ou de expressom galego-portuguesa, celebrado em Compostela, baixo o título de "Galego no mundo. Latim em pó", no apartado de literatura vári@s escritores/as diziam escrever para transformar o mundo.
Eu, expliquei na minha intervençom naquel encontro, para transformar o mundo, milito numha série de organizaçons políticas e sociais da esquerda independentista galega. É nessas organizaçons onde fago um trabalho que pretendo seja útil a esse fim: a transformaçom do mundo, mediante umha revoluçom social, que consiga que a humanidade viva livremente e nom escravizada.
Mas nom é isso o que pretendo coa poesia que eu escrevo. É mais, desconfio sempre a priori de quem di que coa literatura pretende transfomar o mundo. A maior parte das vezes som pessoas que nom estam dispostas ao mais mínimo sacrifício pessoal, nem a arriscar o mais mínimo em pro dessa transformaçom que dim pretender. É umha postura estética, tras da que nom existe mais que o absoluto despreço polo compromisso. Umha fachada que se emprega para intentar ocultar que nom se fai absolutamente nada pola transformaçom do mundo, e que se perpetua o sistema imperante e se reproduzem os privilégios e roles pre-existentes.
Creo na literatura, e em geral no poder da palavra, mas nom lhe confiro poderes sobrenaturais e milagrosos: nom som as palavras as que transformam o mundo, a realidade, a sociedade, a estrutura social concreta na que cada quem vive, mas os factos. As acçons dos homes e as mulheres som as que movem o mundo. Nom é coas palavras coas que pretendemos mover o mundo, mas fazendo força sobre a palanca que, colacada sobre um ponto de apoio, nos vai permitir mover o mundo. O enunciado desse frase nom move o mundo, realizar a acçom que predica si.
Por condensá-lo numha frase, direi, parafraseando a Marx (se é que ainda se pode citar a Marx sem cometer um delito): @s escritoras/es nom figerom mais que interpretar o mundo; agora do que se trata é de transformá-lo.
Por tanto: para que escrever? Para interpretar o mundo. E entre os significados que de interpretar dá o dicionário (eu sempre utilizo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o melhor dicionário de galego que conheço) está "explicar o que há de obscuro e de confuso", "esclarecer", "traduzir",... É isso é o que cumpre fazer: umha literatura que interprete, explique, esclareça, traduza,... o mundo. Porque, como di Justo de la Cueva no seu livro Negacion vasca radical del capitalismo mundial , "(...) no mundo capitalista as cousas nom som o que parecem ser. Mais ainda: as cousas parecem ser o que nom som".
É necessário escrever para interpretar o mundo. É cumpre interpretá-lo para transformá-lo. Um dos principais elementos da minha proposta poética é essa. Trata-se por tanto dumha poesia de compromisso, umha poesia comprometida. Trata-se por tanto dumha poesia -e em geral isto vale para toda a arte-, de compromisso com a transformaçom do mundo, coa luita por umha nova orde política, económica e social. Trata-se dumha arte, como reclama Alvaro Cunhal, "voltada para o povo" .
Mas é umha arte comprometida com essa luita: a arte expressa esse compromisso. A arte nom é a luita. Cumpre ter isso claro, para nom confundir as cousas, para nom acabar pensando, como di Sílvio Rodríguez, que "desde un amable festin tambien se ve combatir".
E é necessário este compromisso coa transformaçom, é necessária a interpretaçom do mundo porque como dijo Lenine, para explicar a Tese XI de Marx sobre Feuerbach que antes parafraseei, (e se nom sabia se se podia citar a Marx sem cometer um delito, com Lenine tenho ainda mais dúvidas), "Sem teoria revolucionária nom existe movimento revolucionário" . Por tanto, sem literatura revolucionária nom existira movimento revolucionário.
E isto leva-nos à seguinte pregunta. Se falamos dumha arte comprometida e voltada para o povo, para quem escrever?


Para quem escrever?
Umha literatura comprometida, umha literatura voltada para o povo. Mas eu nom acredito em que exista a literatura em geral. Existe umha literatura particular, existente e desenvolta em cada país. Creo que é necessário ser consciente de onde se vive, para saber para quem se escreve. Eu escrevo integrado numha estrutura social concreta, chamada Galiza. Nom escrevo em Madrid, nem em New York, nem em Londres, París, Roma,... Escrevo na Galiza, e escrevo para @s habitantes da Galiza. Escrevo literatura galega (se é que tal cousa existe, que essa é outra discussom). Nom escrevo literatura espanhola, nem literaratura europeia, nem literatura universal. Nem a escrevo nem pretendo escrevé-la.
Mas nom escrevo para tod@s @s habitantes da Galiza, nem o pretendo. Num poema digo que "eu só digo os meus versos a quem conmigo vai", e isso é o que pretendo. Escrevo para mim, e para as pessoas que me interessam. Nom escrevo para o público em geral. Escrevo para gentes mui concretas: para as pessoas que, ao igual que eu estejam interessadas, objectiva ou subjectivamente, na transformaçom do mundo desde a estrutura social concreta na que vivo. Se alem disso, alguêm mais tem interesse na minha poesia, é o seu problema, nom o meu. Nom escrevo para críticos, nom escrevo para profesores, doctores, catedráticos ou axudantes de departamento, nom escrevo para estudantes de filologia, nom escrevo para colunistas, para quem fai resenhas na imprensa geral ou especializada, nom escrevo para os meios, nom escrevo para as editoriais, nom escrevo para satisfazer as necessidades da industria cultural galega, nom escrevo para o mercado, nom escrevo para a burguesia, nom escrevo para o colonialismo, nom escrevo para o imperialismo, nom escrevo para o capitalismo.
E entom, perguntará alguem, para quem escreves?. Umha resposta rápida e ilustrativa. Escrevo, por exemplo, para esse quase 25% da populaçom galega que vive na pobreza (segum dados de Cáritas), o que supom perto de meio milhom de pessoas (mais de cinco vezes o total da populaçom da minha cidade, Compostela). Se eu nom escrevera para, por exemplo, esse 25% da populaçom galega, nom poderia mirar-me aos olhos.
Mas isso nom significa que escreva para que esse quase meio milhom de pessoas me leam (por outro lado, isso convertiria-me num superventas), mas para que essas pessoas podam viver com dignidade, num sistema de xustiza social e liberdade nacional. Se depois decidem ler-me ou nom, nom tem a menor importância: o importante é que algum dia cheguem a poder decidi-lo.
Mas a resposta à pergunta para quem?, situa-me frente a umha nova interrogante.
Onde escrever?
Já respostei em parte a esta pregunta: escrevo na estrutura social na qual vivo, na Galiza. Na Galiza de 2001, na Galiza que está a entrar no século XXI em maos de quem durante o século XX pulou por manté-la no século XIX ou XVIII.
E escrever na Galiza, significa comprometer-se. Tomar partido. Ter umha postura ante a realidade: galego ou espanhol?, reintegracionismo ou isolacionismo?, nacionalismo ou espanholismo?, independentismo ou nacionalismo?, etc... Nom se trata aqui de fazer um mitim político, e por tanto nom aprofundarei nestes temas. Só quero remarcar que a proposta poética que eu persigo está também modelada e influenciada por esta perguntas.
E por outras. Escrever na Galiza obriga a ter umha postura sobre o sistema literário galego e todo o que o rodeia.
Entre outras cousas, obriga a ter umha postura sobre se existe ou nom a literatura galega. Umha literatura que cada vez mais resposta às claves e às necessidades espanholas, que vive de costas ao seu espaço natural e dependendo dum sistema literário, o espanhol, que tan só pretende fagocitá-la, umha literatura que poderia estar feita em Múrcia, ou em Almeria, só que escrita formalmente em galego, é literatura galega?
Umha literatura que, em todo caso, sobrevive nas pequenas margens que a literatura e a cultura dominante -a espanhola- deixa: nas livrarias, na imprensa, nos planos de estudo, nas actividades culturais, nas pantalhas do cinema, nos meios de comunicaçom, no reparto de ajudas e subvençons, ...
O galego subsiste a duras penas: os dados dos estudos socio-lingüísticos apontam a umha progressiva perda de falantes (sobre todo de falantes nov@s), que situa actualmente à lingua galega no pior momento de toda a sua história, em quanto a número de falantes e espaços sociais nos que está presente e é preponderante. Pode a literatura viver de costas a esta realidade e aparentar ser umha literatura normalizada? Podem @s escritoras/es mirar para outro lado e viver na inconsciência premeditada, mentres cobram a suas subvençons, vendem, ou malvendem, os seus livros, e assistem a ágapes, tertúlias, conferências e demais parafernálias culturais? Podem @s artistas vender a cultura livremente? Podem @s escritores/as ignorar isso e falar de passarinhos, florezinhas e belos amenceres a carom do mar coa água salgada dos sargaços salpicando os seus olhos e a lua a despedir-se dumha outra noite de saudades e meditaçons transcendentais? Pode permitir-se esses luxos a literatura galega?
Saber onde se escreve, leva a perguntar-nos que e como escrever.
Que escrever?
Como escrever?
As respostas a estas duas perguntas estam interrelacionadas.
Haverá quem poda pensar que, depois de todo o que levo dito, acredito na literatura panfletária, mas estará errad@.
E nom porque pense que um panfleto é qualquer cousa sem valor, secundária, negativa. Antes ao contrário: nom lhe outorgo à palavra panfleto nengum sentido despectivo. Um panfleto é umha cousa mui séria e importante. Mas nom é literatura, nem deve sé-lo.
Como membro de várias organizaçons (como indicava ao começo da minha intervençom), tenho elaborado diversos panfletos sobre diferentes temas, e sei o que significa a palavra panfleto. Quais som os seus objectivos e as suas utilidades. E nom som coincidentes coas da literatura.
Dá trabalho escrever um panfleto: nom entendo porque se asocia com um escrito feito de qualquer forma, às toas e à treu, quando o certo é que leva bastante tempo fazer um bom panfleto. Tanto ou mais que fazer um bom texto literário. Mas um panfleto nom é literatura, e a literatura nom deve ser um panfleto.
E isso que tenho um poema que elaborei a partir dum panfleto, dumha parte dum panfleto, que escrevim para umha mobilizaçom determinada e que nom foi aprovado polo organismo que tinha capacidade para fazé-lo. Mas como eu gostava del, transformei-no minimamente até converti-lo num poema.
Mas é mui importante separar a literatura do panfleto. Som cousas distintas. Os panfletos que abusam da literatura, que acabam sendo textos literários, som maus panfletos, e nom cumprem o seu cometido. A literatura que se convirte em panfleto também nom tem utilidade nengumha.
Há que escrever literatura, poesia no caso que nos ocupa, com todos os instrumentos que esta pom a nossa disposiçom, que nom som poucos. Mas sabendo quais som os limites: do mesmo modo que a guia telefónica da província da Corunha ou o dicionário da língua galega de Xerais nom seram nunca literatura, também nom o programa eleitoral dum partido político será literatura, ainda que se achegue à ciência-ficçom em muitos casos.
Quem escreve?
E, por último, quem escreve?
Eu creo que o poeta, a poeta, vive no mundo, está comprometido com el. Nom é um ser sobrenatural, dotado de poderes que o comum dos mortais nom posue. Nom é alguem que posue capacidades inatas para interpretar o sentido das essências do ser e do estar, nem é umha personagem tocada polo poder da inspiraçom. A inspiraçom nom existe: o que existe é o ofício, o trabalho, a prática, a aprendizagem, o conhecimento e o descubrimento.
@ poeta é um ser normal, tam normal como qualquer outra pessoa. A mesma pessoa que escreve é a que lê, a que trabalha, a que se divirte, a que tem umha vida diária. Desconfio dos poetas que vam de "poetas". Soem ser tam falsos, tam vácuos e tam inúteis como a sua poesia.
Ainda mais: @ poeta dever ser umha pessoa como qualque outra, para poder desenvolver o seu trabalho. Se nom conhece o mundo para o que escreve, como vai escrever sobre el?
Poética e final
Logo de todo o dito, fica mais ou menos clara a minha proposta poética. Umha poesia comprometida, que tenha validez e utilidade, que seja literatura, e que nom seja um mero jogo, um artifício, pura estética tras de que nom existe nada mais que o enorme vazio que produze a mentira.
Umha poesia, e umha literatura, útil, ao serviço da humanidade, e nom ao serviço da "busca da beleza porque é o único que paga a pena". Isso é reaccionário.
A beleza nom é nem mais nem menos importante que o resto da realidade. Exemplos: os zapatistas levantados em armas em Janeiro de 1996 nom som beleza, mas som a realidade, e paga a pena estar com eles e elas. Os insubmisos todos que pasarom polas cadeias do Estado espanhol por nom cumprir o SMO, ou sofrerom repressom, nom viverom situaçons de beleza, mas som realidade, som parte do mundo, e merecem muito mais que as escapistas palavras de quem se revolve na sua miséria e na miséria cultural existente. A dignidade rebede dos povos que luitam pola sua liberdade nem sempre cria beleza, mas é muito mais importante que as patéticas obras de arte da burguesia decadente que, convencida do fim da História, só sabe dar voltas ao redor de si mesma mentres se mira o embigo.
Para rematar: a poesia deve ser verdade. A verdade de que a palavra, no século XXI ou no I, é e seguirá sendo um instrumento que o ser humano ainda está a descobrir. Um instrumento, umha ferramenta, que deve empregar para a sua felicidade, e nom para sua destruiçom. Um instrumento ao serviço da humanidade, e nom da opressom.

 

Igor Lugris

Março 2001

***

 

RASCUNHO PARA UMHA CHARLA DIVULGATIVA FORA DA GALIZA SOBRE O LATIM EM PÓ PRODUZIDO NA GALIZA

 

É amplamente conhecido que a Galiza fai parte dumha das áreas produtoras de latim em pó. Nom é isso nengum secreto. E como outras muitas zonas e áreas produtoras, a sua producçom estava inicialmente ligada ao autoconsumo. Galiza produzia aquel latim em pó que a sua demanda interna precissava, e nen a sua distribuiçom nem o seu consumo tinham nengum tipo de controlo, censura ou restriçom. Mas isso deixou de ser assi, deixou de ser normal há muito tempo.

Hoje em dia, o latim em pó que se esnifa na Galiza nom é umha substância legal. Bom, isto nom é exactamente assi, nom é completamente correcto; é necessário pontoalizar. O latim em pó que se produz na Galiza é que nom é umha substância legal. Dim as autoridades, as sanitárias e as outras, que é umha substância nociva, tóxica, altamente contaminante, que pode produzir graves e perigosas enfermidades de todo tipo, malformaçons nas geraçons futuras, e nom-sei-quantas-cousas-mais, ademais de varias, variadas e diversas desgraças, calamidades e catastrofes naturais, artificiais e mixtas. E para dizer isto baseam-se em estudos de universidades, institutos ad hoc e outros organismos especializados nestes temas. Por isso é umha substância nom legal o latim em pó que se produz na Galiza.
Mas na Galiza, desde logo, produzimos, distribuimos e consumimos latim em pó. Pesie a todos esses problemas, atrancos e dificuldades, na Galiza esnifamos latim em pó. Algumhas pessoas gostamos de esnifá-lo ao bruto: um bom montom enriba da mesa... e a esnifar! Outras pessoas, porem, esnifa-no coa ajuda de bilhetes; bilhetes espanhois de mil, duas mil, cinco mil ou dez mil pesetas.
Os bilhetes editam-se numha imprensa de Madrid, que é umha cidade espanhola. De quando em vez sai nos jornais a notícia de que numha grande parte dos bilhetes que circula por aí há restos de substâncias esnifadas. Digo eu que se o dim os meios será certo.
Mas nom só ficam restos nos bilhetes. Há pessoas que nom se decatam e também esnifam pequenos restos dos bilhetes: um ananco dumha mancha de água, um número dum código de seguridade, umha letra,...
Os bilhetes espanhois estam cheios de letras. Um bilhete de mil tem mil e duas centas doze letras; um de duas mil, mil e setecentas quarenta e oito letras; um de cinco mil, mil e trescentas quarenta e umha letras; e os de dez mil, três mil e oitocentas cinqüenta e quatro letras. Som muitas letras. Sei-no porque me tomei a moléstia de contá-las.
Como os bilhetes os editam numha imprensa de Madrid, que é umha cidade espanhola, as letras que traim som também espanholas. Algumhas pessoas das que esnifam latim em pó produzido na Galiza, esnifam latim adulterado, em más condiçons, nom digo eu que tóxico, mas nom é umha substância pura. Algumhas pessoas, ao tempo que esnifam latim, esnifam letras espanholas.
As letras que mais rápido e facilmente se desprendem dos bilhetes, a força de esnifar, som as mais pequeninhas. Cada bilhete trai repetido, por ejemplo, o sintagma nominal "banco de espanha", nom menos de noventa vezes, e com umha letra miuda, miuda, um tipo três ou quatro como máximo. Isso fai que, já só com essas palavras, haja como mínimo mil cento e setenta letras. Delas, umha grande parte som "enhes", que é a letra por excelência do espanhol, como nos lembra sempre o logotipo do instituto cervantes. É por isso que há quem esnifa "enhes", e quem alucina, claro, com "enhes".

Mas voltando ao tema da producçom de latim em pó, há que saber que as autoridades, as sanitárias e as outras, dim que o que si que é umha substância legal é o latim em pó que se produz em outras áreas, e que esse si pode ser consumido na Galiza sem negum tipo de problema. Há muitas empresas que se dedicam ao negócio da importaçom desse latim em pó. Até existem agora empresas e sociedades que produzem esse latim em pó na Galiza, mas coa matéria prima que traim de fora. A maioria som empresas nom galegas radicadas na Galiza, mas também há algumha firma galega que se dedica a isso. Devido a isto, a maioria do latim em pó que se consume na Galiza nom está produzido na Galiza, mas em Madrid, a cidade onde está a imprensa que produze os bilhetes, e que é umha cidade espanhola, ou em Sevilha, em Valhadolid, em Toledo, em Santander,... que som também cidades espanholas. E umha grande parte do latim em pó que se produz na Galiza fai-se a partir da matéria prima importada dessas, ou outras, cidades espanholas.
De resultas, a maior parte da nossa populaçom esnifa latim em pó nom produzido na Galiza, ou produzido na Galiza a partir de matéria prima importada. Som poucas as pessoas que consumem latim em pó produzido na Galiza a partir de matéria prima cem por cem galega e sem ter sido manipulada geneticamente a sua estrutura molecular. E ainda assi, muitas das pessoas que esnifam este latim em pó galego fan-no empregando bilhetes de mil, duas mil, cinco mil ou dez mil pesetas, que já vimos que estavam cheios de letras espanholas, introduzindo restos destas nos seus corpos sem decaterem-se (ou mesmo conscientemente), consumido assi umha substância adulterada.
Acontesce que muitas das empresas que produzem latim em pó a partir de matéria prima importada nom o avissam nos seus envases, e @s consumidoras/es pensam muitas vezes que esnifam latim em pó genuinamente galego, quando isso nom é certo. E outras empresas produzem latim em pó a base de mesclar grandes quantidades de produto importado com pequenas doses de produto autóctone. E também há que manipula geneticamente o latim em pó galego, para fazé-lo passar por produto importado, que si que é umha substância legal. Todo isto, está permitido polas autoridades, as sanitárias e as outras. E nom só permitido, mas subsidiado, apoiado, incentivado, favorecido, estimulado,...

É por tanto mui dificil consumir latim em pó galego na Galiza. Ao ser umha substância nom legal é dificil atopá-lo. A maior parte das expendidurias de latim em pó nom o distribuem: universidades, instituiçons, livrarias, museus, editoriais, imprensas, copistarias, jornais, rádios, revistas e semanários, televissons, empresas multimédia,... Há que ter os contactos, conhecer a alguem, ser introduzid@ no semi-clandestino mundo da produçom, distribuiçom e consumiçom do latim em pó galego. E, evidentemente, ter dinheiro, pois ao ser umha substância nom legal tem, geralmente, um preço muito mais elevado que o latim em pó legal, que o latim em pó nom galego.

De seguirmos assim em poucos anos nom existirá produçom de latim em pó genuinamente galego na Galiza. Estudos recentes demonstram que as geraçons mais novas praticamente nom o conhecem, e por tanto nom o consumem, ainda que tenham ouvido falar del. Há quem di que fora Galiza, em outras partes do mundo e do universo, mas dentro da mesma área de produçom, também se fabrica latim em pó galego, mas na Galiza nom o sabemos, ou quase ninguem o sabe, porque as autoridades, as sanitárias e as outras, esforçam-se em ocultá-lo, ilegalizando, de facto, mesmo o debate sobre o tema. De todas formas, quando nom haja na Galiza geraçons que consumam latim em pó galego, a quem lhe pode interessar que se produza fora, se nom vai haver ninguem para consumi-lo dentro?
Também há quem di que existem fora da Galiza pessoas que consumem latim em pó galego. Mas nom tem sentido nengum manter umha indústria nacional baseada exclussivamente na importaçom dos seus produtos. Para isso, já temos a invençom do sepulcro do apostolo Santiago, que tantos e grandes benefícios dá a algumhas entidades sócio-político-económicas. Ou pode ser que @s pouc@s produtoras/es, distribuidoras/es e consumidoras/es de latim em pó galego que sobrevivam, acabem num circo, num zoológico, num museu antropológico, ou sendo obxecto de estudo da National Geographic e saiam nos documentais da duas, que é umha televissom espanhola. Qualquer dia aparece-se-nos por ai um doutor Livingstone qualquer remontando o Minho, ou um M. G. Bartoli buscando a António Udina, ou Udine, ou Udaina, que nom está claro, para convertir o seu "Das Galeguische" num volume fotocopiado nas bibliotecas das faculdades de filologia.

Som consciente de que isto que lhes estivem a contar sobre o latim em pó produzido na Galiza parecem os resultados dumha alucinaçom devida à ingesta de algumha substância psicotrópica. Mas se querem vostés alucinar de verdade, aguardem a que alguem lhes conte o debate sobre a normativa lingüística. Isso si que é um alucine real. As minhas palavras, ao fim e ao cabo, som para consumo interno.


Igor Lugris
Novembro de 2001

***

(Texto publicado na revista Agália)

MONGÓLIA NOM PODERIA TER OUTRO NOME


Minte quem diga que neste país sobram livros, autoras/es ou editoras. O que faltam som leitoras/es. Minte quem diga que nom há público. O que faltam som pessoas conscientes de que a sua literatura é a literatura galega, e nom a espanhola. Minte quem diga que nom há mercado. O que faltam som mais livreiras/os e livrarias que nom encham os seus escaparates com livros espanhois, mentres relegam o livro galego a um andel onde amoream uns quantos livros (de viagens, infantis, de literatura, de história,...),etc. Minte quem diga que vivemos num país normalizado, ou quem actue como tal. O que falta é que nom aceitemos que o normal é perder falantes porque cadaquem livre e harmonicamente escolhe a língua que prefire. E quem actue como se viviramos num país normal sabendo que isso nom é certo é mais que um mentiroso: é um irresponsável. Já dixo Castelao que nom nos deveriamos de asombrar se os parvos chegam a ser autoridades: som cousas do sistema que combatimos e do tempo que nos tocou viver. Falta normalidade e sobra sub-normalidade; na literatura também.
Mongólia porque si, porque quero e da-me a gana. Mongólia para nós, para quem ainda acredita que um outro mundo é possível, para quem posue a plena segurança e convencimento de viver onde há que viver. Mongólia como galiZa, a Galiza do GZ, a Galiza do trisquel, que sabe onde está o centro do mundo e do universo. A Galiza que sabe que nom é umha aldeia de Portugal, como os idiotas (alguns deles académicos) rosmam por aí adiante: nos jornais, nas suas aulas, nas suas soporíferas e insufríveis charlas.
Mongólia é umha pequena guia de viagem, para achegar-se a um país nom tam distante, remoto ou afastado como algumhas pessoas pensam e outras desejariam. Nom é a longinquidade o que caracteriza esta Mongólia, esta pequena entidade estatal rugosóide, vista desde a Galiza, mas a sua proximidade às esperanzas, às utopias, aos sonhos, aos anseios e desejos, aos amores e desamores, às querências e às reticências de tantas pessoas que sabem que o realmente imaginativo e transformador nom é pedir o impossivel, mas construir aquilo que é necessário. Mongólia nom poderia ter outro nome. Tem o nome justo. Um redondo vocábulo.
Redondo, limitrofe e eufónico. Quem nom entenda nada do que digo, escusa colher o livro. Há uns meses, no "Galego no mundo. Latim em pó", no apartado de literatura vári@s escritores/as diziam escrever para transformar o mundo: que grande mentira.
Grave, agudo e esdrúxulo. Para transformar o mundo, o que há que fazer é participar em organizaçons que tenham tal fim entre os seus objectivos estratégicos irrenunciáveis. É assi que é possível um trabalho útil para a transformaçom do mundo, mediante umha revoluçom social, que consiga que a humanidade viva livremente e nom escravizada.
Sobre todo esdrúxulo. Desconfio sempre a priori de quem di que coa literatura pretende transfomar o mundo. A maior parte das vezes som pessoas que nom estam dispostas ao mais mínimo sacrifício pessoal, nem a arriscar o mais mínimo em pro dessa transformaçom que dim pretender. É umha postura estética, tras da que nom existe mais que o absoluto despreço polo compromisso. Umha fachada que se emprega para intentar ocultar que nom se fai absolutamente nada pola transformaçom do mundo, e que se perpetua o sistema imperante e se reproduzem os privilégios e roles pre-existentes.
Paralelepípedo e intrigante. Acredito na literatura, e em geral no poder da palavra, mas nom lhe confiro poderes sobrenaturais e milagrosos: nom som as palavras as que transformam o mundo, a realidade, a sociedade, a estrutura social concreta na que cada quem vive, mas os factos. As acçons dos homes e as mulheres som as que movem o mundo. Nom é coas palavras coas que podemos mover o mundo, mas fazendo força sobre a palanca que, colocada sobre um ponto de apoio, nos vai permitir mover o mundo. O enunciado desse frase nom move o mundo, realizar a acçom que predica si.
Por condensá-lo numha frase bem conhecida: @s escritoras/es nom figerom mais que interpretar o mundo; agora do que se trata é de transformá-lo.
Por tanto: para que Mongólia? Para interpretar o mundo. E entre os significados que de interpretar dá o dicionário está "explicar o que há de obscuro e de confuso", "esclarecer", "traduzir",... É isso é o que cumpre fazer: umha literatura que interprete, explique, esclareça, traduza,... o mundo. Porque, como di Justo de la Cueva no seu livro Negacion vasca radical del capitalismo mundial, "(...) no mundo capitalista as cousas nom som o que parecem ser. Mais ainda: as cousas parecem ser o que nom som". Durante algum tempo houvo, haveria, quem lhe quijo chamar albánia.
Mas aquelas madrugadas nom reuniam todo o que se procurava. É necessário escrever para interpretar o mundo. E cumpre interpretá-lo para transformá-lo. Mas a literatura nom é a luita. Cumpre ter isso claro, para nom confundir as cousas, para nom acabar pensando, como di Sílvio Rodríguez, que "desde un amable festin también se ve combatir".
E é necessário este compromisso coa transformaçom, é necessária a interpretaçom do mundo porque, como di outra conhecida frase, sem teoria revolucionária nom existe movimento revolucionário. Por tanto, sem literatura revolucionária nom existira movimento revolucionário. Pouco durou aquel empenho.
É possivel fazer isto na literatura galega? Umha literatura que cada vez mais resposta às claves e às necessidades espanholas, que vive de costas ao seu espaço natural e dependendo dum sistema literário, o espanhol, que tan só pretende fagocitá-la. Umha literatura que poderia estar feita em Múrcia, ou em Almeria (alguns quijeram fazé-la en Nova York), só que escrita formalmente em galego, é literatura galega? Umha literatura que, em todo caso, sobrevive nas pequenas margens que a literatura e a cultura dominante -a espanhola- deixa: nas livrarias, na imprensa, nos planos de estudo, nas actividades culturais, nas pantalhas do cinema, nos meios de comunicaçom, no reparto de ajudas e subvençons, ...
Sempre será Mongólia, Mongólia. O galego subsiste a duras penas: os dados dos estudos socio-lingüísticos apontam a umha progressiva perda de falantes (sobre todo de falantes nov@s), que situa actualmente à lingua galega no pior momento de toda a sua história, em quanto a número de falantes e espaços sociais nos que está presente e é preponderante. Pode a literatura viver de costas a esta realidade e aparentar ser umha literatura normalizada? Podem @s escritoras/es mirar para outro lado e viver na inconsciência premeditada, mentres cobram a suas cativas subvençons, vendem, ou malvendem, os seus livros, e assistem a ágapes, tertúlias, conferências e demais parafernálias culturais? Podem @s escritores/as ignorar isso e falar de passarinhos, florezinhas e belos amenceres a carom do mar coa água salgada dos sargaços salpicando os seus olhos e a lua a despedir-se dumha outra noite de saudades e meditaçons transcendentais?
Pretendo umha poesia, e umha literatura, útil, ao serviço da humanidade, e nom ao serviço da "busca da beleza porque é o único que paga a pena". Isso é reaccionário. A beleza nom é nem mais nem menos importante que o resto da realidade. A dignidade rebelde dos povos que luitam pola sua liberdade nem sempre cria beleza, mas é muito mais importante que as patéticas obras de arte da burguesia decadente que, convencida do fim da História, só sabe dar voltas ao redor de si mesma mentres se mira o embigo.
Por isso Mongólia e por isso Artefacto Editorial. É umha metafora. É umha metonímia. É umha brincadeira. Igual que sempre a água tem hidrogénio e oxigénio em justa proporçom.

Compostela
19 de Setembro de 2001

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(resenha aparecida no suplemento AFA do jornal "El Correo Gallego")

Igor Lugrís evoca no seu novo poemario unha 'Mongólia' literaria e eufónica

Logo de 'Quen nos defenderá a nós dos idiotas?' o melidense Igor Lugrís trasládanos no seu segundo poemario 'Mongólia. Umha entidade estatal rugosóide' a un país "non tan distante''. A modo dunha "guía de viaxes literaria'' 'Mongólia' mestura ironía, sarcasmo e eufonías con pequenos 'acenos' históricos e políticos que "poden dar lugar ás máis variadas interpretacións''.

"Como unha pequena guía de viaxes dun país que está máis preto do que pode parecer''. Deste xeito describe o poeta melidense Igor Lugrís o transfondo do seu novo poemario Mongólia. Umha entidade estatal rugosóide, aproximación literaria "a ese lugar no que eu quixera vivir, libre e dono de seu'', afirma o autor.

Lugrís xoga en Mongólia coas características da orografía, da xente, dos costumes e do compromiso colectivo dun pobo co que o autor afirma "establecín unha forte relación afectiva e unha identificación moi especial''. Pero Mongólia é tamén un xogo literario de sons, un poemario "efónico porque tamén o é o seu nome'', mesturado con certas doses de ironía e escarnio que poden dar lugar a "moitas e moi distintas lecturas''. "Os poemas agochan acenos literarios, históricos e políticos susceptibles das máis variadas interpretacións, cada lector pode atopar neles algo novo, incluso ver algo que eu non vise aínda'', engade Lugrís. Precisamente eses "acenos políticos e históricos'' poderían se-los causantes segundo o seu autor de que o poemario andase rodando de editorial en editorial antes de tomar forma definitiva en edición de autor.

Igor Lugrís ten publicados textos, poemas e artigos en volumes colectivos e diversas revistas. Logo de sacar á luz en outubro de 1997 Quen nos defenderá a nós dos idiotas?, e escribir outros dous poemarios inéditos -Pechar os ollos e Con cuatro palabras-, iniciou esta nova andaina hai ano e medio e "case por casualidade''. "Mongólia é producto dunha mestura de circunstancias entre as que recordo unha fotografía na contracapa do disco Espíritu de Paz de Madredeus'', di Lugrís. Era a imaxe "dunha manta enrugada'' dese país franqueado pola China e Rusia que espertou a curiosidade do poeta.

Respecto do seu anterior traballo destaca que este é un "poemario cunha liña máis homoxenea e concreta cunha maior coincidencia estilística''.
Afa

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(umha resenha de Armando Requeixo sobre o livro "Mongólia" aparecida em "El Correo Gallego")

Literatura mongol

A convencionalmente denominada Xeración dos 90 deu a coñecer grande número de poetas de moi diversa calidade e condición. Entre os máis singulares atópase, con seguranza, Igor Lugrís, cultivador maiormente do verso humorístico e social, escolla que o particulariza entre os seus confrades literarios.

Ironía e compromiso social podían descubrirse xa en 'Quen nos defende a nós dos idiotas?' (1997), o seu primeiro poemario, e volven ser revisitados polo autor en 'Mongólia' (Artefacto Editorial, 2001), constructo lírico de utopías libertarias que zumega ácidos sarcasmos e denuncias antitotalitaristas.

'Mongólia' é, como o propio Lugrís define, "um velho e permanente sonho da humanidade oprimida/ou/talvez/só/o nome próprio da utopia". 'Mongólia', esa "entidade estatal rugosóide" que se anuncia dende o subtítulo mesmo do poemario, é un espacio literario que recolle o espírito idealizante de Icaria, dos falansterios e as comunas parisinas, de Utopía e de tódolos estados ideais antes soñados. Mais é tamén un reflexo vallinclanesco e deformante da propia Galicia, das súas miserias máis inconfesables, dos seus máis baixos fondos.

A carón destes poemas máis claramente comprometidos figuran outros de impecable factura lúdica, por veces burlescos e mordaces, outras puramente retranqueiros.
Pois o goberno de 'Mongólia' tamén "comtemplava umhas quantas metáforas de carácter estratégico/duas ou três metonímias/o reparto de palindromos/entre os sectores da populaçom mais necessitados/poucas alegorias e aliteraçons/tam só as necessárias para manter em pé o sistema literário público/a reduçom reutilizaçom e reciclage de circunlóquios/perifrases/e elusons da palavra directa/e a garantia de um reparto equitativo de pareados e paralelismos". Os que se abeiren á lectura deste orixinal enclave literario que é 'Mongólia' poderán tamén gozar co gravado de (contra)cuberta de Baldo Ramos, caligramática imaxe moi acorde co espírito que anima estes versos, irreverentes, sorprendentes e intelixentes. Literatura cómplice, literatura mongol.

Armando Requeixo